terça-feira, 25 de março de 2014

6ª RESIDÊNCIA ARTÍSTICA DO Red Bull Station

Por Renata Quintieri





O Red Bull Station chega à sua sexta residência, abrigando seis artistas dispostos a trabalhar por três meses na casa, criando e gerando arte a partir de materiais diversos.

A proposta é que a obra artística deve nascer para preencher o vazio. O prédio da exposição é de 1926, antiga subestação de energia Riachuelo. É impossível separar o espaço das obras.

Os artistas Alessandra Domingues, Chico Togni, Fabiana Faleiros, Raquel Uendi, Rodolfo Parigi e Thiago Honório inauguram essa exposição que marca também o encerramento de um período marcado pelo processo. Assim, logo que suas obras são expostas, seis novos artistas ocupam seus lugares no prédio e dão início a um novo processo criativo.


Entre as obras está a instalação Trabalho, de Thiago Honório, onde o artista enfileira os materiais usados pelos pedreiros durante a reforma do prédio (uma reforma que, tudo nos indica, não parece ter fim); com isto incita a relação entre trabalho e resistência.  Também de sua autoria, temos o painel Pintura de Parede, composto por lixas de parede utilizadas na reforma da casa do próprio artista.


Thiago Honório
Pintura de Parede, 2014
Lixas gastas utilizadas na pintura das paredes da residência do artista no período da realização da resistência artística na Red Bull Station
300 cm X 275 cm



Rodolpho Parigi criou durante a residência a personagem Fancy Violence, que lhe serviu de aparato e preenchimento do seu vazio interno. Aparecendo caracterizado da mesma –salto alto, batom, vestido preto-, ele interpola nossos limites expondo sua obra que, ao mesmo tempo que nos convida, nos repele.


Rodolpho Parigi
Biblia Cucetas, 2014
Tinta acrílica sobre faiança e bíblia
29 cm X 26 cm X 17 cm















Rodolpho Parigi
Fancy Violence 3, 2014
Tinta à óleo sobre poliéster
278 cm X 181 cm



















Além da exposição propriamente dita, o público é convidado a conhecer o espaço de criação dos residentes, no segundo andar do prédio há a possibilidade de “espiar” os quartos dos artistas e, ao final do corredor, há a “Galeria Transitória”. Nela, diferentes obras de vários artistas transitam até que sejam colocadas em um espaço fixo na exposição ou, simplesmente, retornem ao seu criador. A ideia é divulgar e dar uma chance à obra de ser vista pelo grande público.


Vale a pena conhecer o espaço, próximo ao metro - sem “crise” para visitar; além da possibilidade de cruzar com os artistas e discutir suas obras.


RED BULL STATION
Praça da Bandeira, 137, Centro, SP

HORÁRIO DE FUNCIONAMENTO
Terça a Sexta: 11h às 20h - Sábado: 11h às 19h

DURAÇÃO
18 de fevereiro a 16 de abril

PREÇO $
Grátis

LINKS RELACIONADOS
http://redbullstation.com.br/

quarta-feira, 19 de março de 2014

Only You - Leonardo Kossoy

Por Dan Rudra



A exposição Only You reúne 145 imagens (composta por fotografias, vídeos e instalações) do fotógrafo paulistano Leonardo Kossoy. O artista retrata atores nus a sós ou interagindo em dupla, aproximando-se e distanciando-se, em movimento que oscila entre atração e repulsão, que sugere  a coreografia de um diálogo impossível.

Casal Nu em Ação 0,70 x 2,10

Os ambientes aproveitam  de jogos de luz e sombra, dos exageros dos gestos, da sensualidade e da expressividade dos corpos e o movimento insinuando silhuetas tremidas, para realçar todo o potencial dramático de um questionamento existencial. 

Caixa de sentimentos 3,10 x 2,0


O nome da exposição é inspirado na canção Only You (Só você), do The Platters, que foi hit em 1956. Leonardo Kossoy tomou emprestado o título em inglês para nomear seu trabalho, cujo o tema são os desafios e possibilidades do relacionamento a dois. Para isso o autor buscou uma estratégia de fragmentação, explorando os meios significantes da fotografia e vídeo para colocar em posições pré-codificadas. A Nudez é utilizada como uma maneira de expor um desnudamento da noção de interioridade. Busca abalar as estruturas de um nós amoroso excessivamente apoiado em noções de interioridade e unidade, deixando terreno aberto a se pensar o relacionamento a dois em bases mais exteriores e múltiplas.

As obras são inspiradas em quadros de pintores como Caravaggio e em Francis Bacon para encontrar modelos de perspectiva, enquadramentos e iluminação. Dessa pesquisa surgiu a opção por cubos e pelo fundo preto no qual caminhamos por todo o labirinto da exposição.

Sufocamento 1,5x1,5
Co
A série fotográfica foi realizada entre 2011 e 2013 e representa o primeiro trabalho de Kossoy em estúdio com modelos nus, encaixotados ou em situações dramatizadas.

"Eu procurava drama. Para realizar os ensaios eu encontrei um casal que resolveram a questão da expressão cênica. Tinha que ser ator. Gosto muito de ópera, de gestos extremos", diz Leornado Kossoy.  

A frase de Kossoy representa fielmente impressão que se tem do momento em que você entra, até o momento em que você sai da exposição Only You. Vale a pena uma visita. Muito legal a interação multimeios realizada pelo artista.


Panorâmica da exposição


Onde: Instituto Tomie Ohtake
Endereço: Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, Pinheiros, São Paulo/SP
Data: 20 de fevereiro a 30 de março de 2014
Horário: 11 às 20 hs.
Entrada Franca

terça-feira, 18 de março de 2014

Duplo Olhar – Coleção Sérgio Carvalho

Por Catharina Scarpellini


A exposição reúne 116 obras do colecionador Sérgio Carvalho, e traça uma linha do tempo percorrida pela arte contemporânea brasileira rumo ao circuito internacional reunindo obras de 54 artistas Brasileiros. A curadora Denise Mattar junto com o colecionador escolheram as obras que fariam parte da exposição, por isso o Nome “Duplo Olhar.




Ao entrar no Museu  “Paço das Artes” logo avistei a exposição  da coleção de Sérgio Carvalho, que me chamou muito a atenção por três enormes fotografias de uma mulher com um boi, da Pernambucana Amanda Melo, chamado “ Round IV”,  na qual me apaixonei e assim bem rápido a exposição me conquistou. 




Lá pude ver vários tipos de obras, desde pinturas e esculturas até fotografias, vídeos e objetos todos no mesmo espaço, mas agrupados por temas : Corpo, Non-Sense Stories, Memórias - Segredos e afins, Referências, Tessituras, Paisagens-Paisagens, Luz e Narrativas. Segundo a curadora  não são conjuntos fechados mas agrupamentos líricos que se interpretam.
O primeiro espaço em que entrei, foi um dos que me chamou mais a atenção ,foi o de tema  corpo, na qual logo me deparei  com o vídeo  “Las outras” de  Paulo Meira em que há um homem pendurado por ganchos cravados em suas costas e sendo empurrado por um anão de vestido que por alguns momentos tomou minha atenção por ser meio perturbador. Depois conclui que todo o grupo de obras ligadas ao corpo eram abordadadas de uma maneira mais pesada.  

Outro espaço que me chamou a atenção foi onde o tema era Luz e Narrativa.  A escultura “Effugium” de José Rufino em um primeiro momento ganhou toda a minha curiosidade, por estar ali no meio da sala, mas logo me dei conta dos trabalhos maravilhosos que estavam “escondidos” ali por trás de fotografias escuras e sem cor que trabalhavam a luz como a fotografia “Cavalo Malhado” da Sofia Borges. 




Também gostei muito da parte do Non-Sense Stories que reúne obras muito criativas como a escultura de Flávio Cequeira , “Foi assim que me ensinaram”  ou as fotografias da Flávia Junqueira, “Série Gorlovka 1951”.Em geral gostei muito da exposição e indico muito para quem quiser descobrir artistas novos , ver belas obras e conhecer um lado muito interessante da arte Brasileira explorando varias mídias.



Local: Paço das Artes
Endereço: Avenida da Universidade, 1, Cidade Universitária, São Paulo – SP
Data: de 25 de janeiro, à 6 de abril
Horário: de terça à sexta, das 10 h às 19 h; sábados, domingos e feriados, das 12h30 às 17h30

Entrada Gratuita

segunda-feira, 17 de março de 2014

Alta Mira - Belo Monte, de Eduardo Kobra

Por Anna Paula Furtado



Localizada na esquina da Consolação com a Rua Maria Antônia, o mural do conhecido Eduardo Kobra não pode ser apreciado com poucos segundos da atenção de quem passa por ali. Devido a abundância de cores (já desgastadas), o mural é chamativo, mas demanda alguma atenção para entender o trocadilho e a crítica ali expostas.
O índio sorridente é alvo de uma mira de arma, daí o trocadilho com o nome da cidade às margens do Xingu, principal vítima da construção da enorme Usina de Belo Monte. O autor é declaradamente contra a construção da Usina, sendo o mural um protesto.
A tinta já desgastada reflete um pouco a situação da discussão acerca da construção da usina. E a rapidez e movimentação da rua em que a obra se localiza reflete e enfatiza a rapidez com que os assuntos se esgotam na mídia, a rapidez com que enjoamos ou nos acostumamos a certas situações.
O mural fica numa esquina pela qual eu mesma sempre passo. Recordo-me das primeiras vezes que o vi e da pouca atenção que dei. Apenas quando fui forçada a vê-lo foi que reconheci ali a crítica e o valor da obra. Não é o tipo de mural pelo qual se corre os olhos e já se entende a mensagem. Mas proporciona um momento de aflição ao lembrar da situação injusta vivida pelos índios até hoje.







INSIDE OUT - Fotografia ao ar livre 

Pauline Gras







INSIDE OUT é uma exposição de fotografia ao ar livre que quis resgatar as historias, de moradores, de um dos bairros mais antigos de Sao Paulo: Bom Retiro. Andando pelas ruas do Bom Retiro, se nota fotos imensas retratando pessoas de etnias, origens, gostos, idades, estilos diferentes. Percorrendo o bairro inteiro, podemos achar múltiplas fotos.



 As fotos são em  preto e branco e são aproximadamente de uma dimensão de 2m x 1,5m.  


O Projeto registra 150 fotos de pessoas que se instalaram na região famosa pelo comercio. As fotos transem cultura para as ruas. 



Mostra uma outra imagem do bairro, quebrando o preconceito que as pessoas tem do centro (pela proximidade a cracolandia). 
Mostra a riqueza da mistura cultural (variedade de nacionalidade, de comunidades, …).   
Sao painéis que retratam pessoas de idades diferentes, origens diferentes. Ha uma pequena historia em cada pessoa que se destaca pelo olhar, pela carreta, sorriso ou sentimento. 
As foto foram registradas pelo fotografo argentino Pablo Saborido, revelam mais do que a expressão de cada pessoa. 


Contam a historia de um bairro inteiro. Elas mostram aspectos despercebidos do bairro como a diversidade cultural (coreanos, bolivianos, judeus, católicos…) 

O Projeto INSIDE OUT , foi criado na França inspirados pelas “colagens” em grande formato do Artista JR.








O projeto da a cada pessoa a oportunidade de compartilhar seus retratos e assim transmitir uma mensagem. E uma plataforma global criada para todos para compartilhar a suas historias e transformar-las em mensagens identitária através de obras de artes publicas. Hoje existem mais de 120 000 posters no mundo com mais de 108 países desde março de 2011. 





INSIDE OUT vê suas fotos do Equador ao Nepal, do Mexico a Palestina com açoes de temas variados como a esperança, a diversidade, a violência, a mudança climática… 





Desde o dia que começou a exposição (15 de fevereiro) ela vai mudando de local. Começou na casa do povo, passou pela igreja Nossa senhora auxiliadora, nos muros da oficina cultural Oswald de Andrade. 
Hoje as fotos estão espalhadas pelo bairro.



Quanto: Gratis
Quando: Todos os dias
Aonde: Bom retiro (espalhadas pelo bairro) 

terça-feira, 11 de março de 2014

STREET ART – Um panorama urbano



Por Isabela Lazarini



Street art  diz ser um panorama urbano que inclui alguns artistas como Banksy, Jef Aerosol, Sten Lex, Vhils, Rero, Nunca e MAISMENOS. A exposição é divida por artista, sendo composta por uma ou duas obras de cada um, acompanhada por uma breve introdução sobre o artista e seu contexto. Trata-se da arte urbana, dentro da galeria, o que nos faz questionar quanto o contexto e a forma de exposição implicam na repercussão da obra.



Haviam ali grafites emoldurados na parede, dentro de quadros. Era como querer recortar as paredes das ruas e montar uma exposição com isso, intitulada panorama urbano. Sem dúvidas, estavam ali presentes nomes de artistas fantásticos, mas na verdade era só um mero simulacro de tudo aquilo o que chamamos de arte urbana. Para ilustrar esse argumento, conto-lhes que ali se encontrava fotografias dos polêmicos e famosos grafites de Banksy, mas que reflexão isso causa a nós?




Por outro lado, a exposição também contava com artes urbanas que mais se adequavam ao ambiente e que também conseguiram me atingir com suas propostas críticas de cunho político. Um dos artistas que me ali pareceu adequado foi MAISMENOS. Suas obras são representações visuais do colapso de dos sistemas econômicos e das suas conseqüências sociais, utilizando objetos simbólicos - como, por exemplo, uma bola da copa do mundo – modifica-os artisticamente com uma proposta crítica.






Em geral a exposição conta com diferentes técnicas de arte urbana, mas que não são indicadas juntamente
com a obra. Técnicas como stencil, a serigrafia, a colagem, o grafite, entre outras. Além disso, alguns vídeos foram dispostos juntamente com as obras como uma espécie de videoclipe indicativo da composição de
algumas das obras.
 

Street Art – um panorama urbano, está aberta desde 22 de Fevereiro e vai até 20 de abril de 2014, na Caixa Cultural (Praça da Sé, 111), das 9h às 19h de Terça a Domingo. A entrada é franca.




Yutaka Toyota - Sim, pode tocar!

Por Beatriz  Borsatto Faria



A exposição de Yutaka Toyota conta com 24 esculturas que podem ser tocadas pelos visitantes. Além disso, cada escultura tem uma caixa de som própria que é acionada por movimento. Inovadora, Toyota busca aproximar deficientes visuais da arte, bem como permitir que qualquer um tenha uma experiência diferente com a arte.

O primeiro contato com a exposição é bastante interessante. Ao fechar os olhos e tocar as obras, nota-se elementos da nossa percepção tátil que são anestesiados na vida cotidiana: texturas, temperaturas, formatos. Inicia-se uma trilha sonora que se identifica, as vezes misteriosamente, com a obra. De olhos abertos, o efeito dos espelhos curvos e das cores proporciona uma sensação diferente das anteriores, complementar.


A artista explora basicamente o uso de três materiais: aço, madeira e tinta. O uso de poucos materiais deixou em mim um gosto de “quero mais” – quero tocar mais. Acredito que a artista tenha pensado nesse efeito de suas obras no público. Vivemos em uma cidade com uma multiplicidade absurda de cores, sons, cheiros e texturas. Toyota nos dá a dica: experiencie a cidade também como arte.






Quanto: Grátis
Quando: De terça a domingo, das 11h às 17h
Onde: Centro Cultural dos Correios - Prédio Histórico (próximo ao metrô Anhangabaú)
Até quando: 11/04/2014



"K_", Projeto de César Meneghetti

Karoline Mendes Ruiz


Ao entrar no Paço das Artes – espaço lindo da Universidade de São Paulo - dá-se de cara com uma bela exposição do colecionador Sérgio de Carvalho, recheada de obras interessantíssimas. No entanto, é preciso passar por ela perseguindo um som baixo e um tanto estranho até a sala mais ao fundo do local para encontrar o forte trabalho do artista visual e cineasta paulistano César Meneghetti.

Adentrando-se a sala escura, tem-se contato com uma instalação composta por duas grandes telas nas paredes opostas e um banco desconfortável entre elas. Nas telas, dois dos sete trabalhos que compõem a série K_lab – interacting on the reality interface: as obras K 05_still femmes (vídeo, 15’, HD, cor) e K 06_01011001 (tríptico vídeo, 4’, 10’ e 11’, HD, cor).  


O trabalho, realizado na África (Níger-Itália) entre 2007 e 2009 é composto por vídeos, fotografias, instalações e documentos que narram, analisam e documenam através da estética, o trabalho da população - feminina, na maior parte - no combate à desertificação do Vale de Keita, região localizada entre o Sahael e a áfrica Central. Das diversas missões empreendidas na região, acompanhado do fotógrafo italiano Enrico Blasi e do cinegrafista inglês Sam Cole, surgiu o projeto.

Um dos vídeos, K 05_still femme, retrata camponesas africanas na pausa de seu trabalho diário. Suas expressões - ora tristes e cansadas, ora vaidosas frente à câmera - seus olhares, marcas e peles queimadas carregam, em menos de um minuto de exposição, toda a história de cada uma dela. Confesso que, apesar da visível dor presente em seus rostos, me peguei com inveja da força e da beleza que exalavam. O fundo de terra seca formava um degradê de cores com os tons de suas peles e contrastavam com a vivacidade das cores dos panos, adornos e vestidos. Tudo naquelas imagens era muito intenso e real. O outro vídeo,  K 06_01011001, trata da terra, árida, laranja, seca. Muitas vezes retratada no contato com a água, numa quase ironia à realidade local. As texturas, em minha cabeça, lembram peles, e dão vontade de tocar. Pouco se define do que está sendo exposto, além das cores, contrastes e texturas.

A impressão que se tem é de que a obra é grande demais para caber naquela sala, o que a faz vazar um pouquinho, através do som. Esse, composto pela mixagem de sons advindos da própria captação, uma espécie de zunido - que me lembra barulho de choque - e um rap chamado "Ma Rage" (Minha Raiva) de ZM (Zara Moussa), única rapper feminina da áfrica Ocidental. A letra, que fala sobre a situação da mulher meio à sociedade e à aridez local, é traduzida num último momento do primeiro vídeo. 

A mostra K_ teve abertura no dia 8 de março e ocorrerá até 6 de abril, com entrada gratuita, no Paço das Artes, localizado na av. da Universidade, 1, Butantã. Terça à sexta, das 10h às 19h e sábados e domingos, das 12h30 às 17h30.